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O BOBO NÃO ESTÁ SÓ

O Rei daquele novo reino, o reino do novo, desde a sua triunfal cadeira, olhou em volta. Não via ninguém. Não porque não tivesse súditos, ou corte, ou ministros, mas simplesmente porque não via ninguém. Então pensou que pouco lhe interessava se via ou não via alguém, pois o que lhe importava é que ele era o Rei, que haviam súditos, corte e ministros. Talvez esquecendo que só tinha chegado a Rei porque havia desbancado o antecessor e, como ele, alguém poderia desbancá-lo, manteve a impáfia, mesmo estando só. Como todo Rei de si mesmo, acreditava que os que não via ali estavam trabalhando por ele e pelo reino. Até poderia tolerar, diante disso, que alguém estivesse também trabalhando por interesse próprio, extritamente próprio, ajeitando a própria vida, como ele mesmo, Rei, pensava em fazer e fazia seguidamente. Certo de que os súditos estavam longe, bem longe do castelo, e na sua maioria formados por ignorantes e analfabetos funcionais, acreditavaque o que eles viriam a saber seria apenas o que os emissários e vassalos do Rei contariam. E como o que contavam e anunciavam com suas trombetas e bergaminhos era o que interessava ao Rei, fosse ou não verdade, o reinado estava garantido, hoje, amanhã, sempre. Ao terminar essa última reflexão que lhe deixava numa paz quase perpétua, eis que entra o bobo-da-corte. A visão daquela ilustre e quase alegre figura atraiu o olhar e a atenção do Rei. "Bobo, o que fazes aqui?", perguntou então sua majestade. "Como não tenho conseguido manter-me alegre desde que ajudei a mudar a administração deste reino, acabo de comentar com alguns membros da corte e com alguns ministros que eu precisava encontrar um substituto para o meu ofício, com o que me recomendaram procurar aqui neste salão aonde vossa majestade se encontra", disse o bobo sem cerimônia. Ao ouvir isso o Rei olhou em volta, confirmou que estava ali sozinho apenas na companhia de sua imagem refletida por diversas vezes pelos espelhos que adornavam o imenso salão, e então mergulhou novamente em seus pensamentos, e, parecendo feliz, só o que conseguiu pensar foi: "quem é esse bobo?".