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CARTA DO BOBO PARA DAL MASS

Caro Dal Mass:
Percebi que vinhas escrevendo sobre a minha presença na corte. Primeiro foi no jornal local; depois no seu blog. Quero lhe agradecer tanta consideração. Vi que o senhor captou meus pensamentos, minhas frustrações, minha angústia. Tendo frequentado o reino como frequento desde seu início, não é fácil ver o que vejo e ouvir o que ouço. Tem horas que já não sei mais quem eu sou, se o bobo ou o rei dos bobos. É tanta bobagem que venho assistindo que tem vezes que acho que querem o meu lugar. E tem horas, inclusive, que gostaria de entregar o meu lugar. Mas o meu lugar é o meu lugar e de mais ninguém. O máximo que posso é admitir compartilhar o mesmo lugar com alguém que queira dividi-lo comigo. Afinal, sempre tem lugar para mais um bobo em qualquer reinado. A prova é o que vejo de muitos escritos por aí. Sabe, Dal Mass, quando leio o que a maioria está escrevendo e comparo com o que sei fico imaginando que existem dois reinos: um, o da ficção; o outro, da realidade. Mas deixe estar. Como diz o ditado, o tempo é o senhor da razão. Só fico imaginando quanto tempo vai levar para que todos saibam o que eu sei. Então o senhor poderia me perguntar: mas bobo, afinal, se estás triste aonde estás, se podes revelar o que sabes por ouvir e ver, por que não deixas o reino e promoves a queda da Bastilha? Se me fizesses essa pergunta, Dal Mass, eu só teria por agora uma resposta: eu não sou bobo! Se eu saísse e fizesse qualquer coisa saberiam quem eu sou; se soubessem quem eu sou, por eu ser o bobo, logo achariam um outro para colocar no meu lugar e, o que é pior, ninguém me daria ouvidos, principalmente quem deveria dar. Então, vamos fazer o seguinte: eu vou continuar de olho e armazenando minhas informações, e quando chegar o momento mais propício, deixarei a corte, anunciarei o fim da minha carreira de bobo e torcerei para quem estiver me ouvido não querer o meu lugar de bobo. Um forte abraço do por ora e de sempre bobo.